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16 de dezembro de 2013

Um produto mínimo viável não é, necessariamente, barato.

Um produto mínimo viável (MVP) não é sempre uma versão menor/mais barata do seu produto final. Definir o objetivo para um MVP pode economizar toneladas do seu tempo, dinheiro e sofrimento.

Eu topei com uma pequena startup em Stanford que pretende controlar Veículos Aéreos não Tripulados (drones – zangões, em inglês) com uma câmera hiperespectral para voarem sobre plantações para coletarem imagens hiperespectrais. Essas imagens seriam capazes de dizer aos fazendeiros o quão saudáveis suas plantações estão, se há doenças ou insetos e se há ou não adubo e água o suficiente. Esta câmera tem resolução suficiente para ver plantas individualmente. Saber isso significa que as fazendas podem fazer previsões melhores de quanto seus campos irão produzir, se eles devem tratar áreas específicas com pesticidas, e colocar fertilizantes e água apenas onde é necessário.

Drone equipado com câmera coletando informações sobre uma plantação. Drones são melhores do que satélites devido à alta resolução e do potencial de voar mais vezes sobre os campos, e melhores do que aviões devido ao menor custo.

Todas estas informações iriam ajudar fazendeiros a aumentar o rendimento (fazendo mais dinheiro) e reduzir os custos, já que menos água seria utilizada e adubos/agrotóxicos seriam utilizados apenas onde era necessário. O plano deles era o de ser um provedor de dados em um setor emergente chamado “agricultura de precisão”. Eles iriam aos campos semanalmente, colocariam os drones para voar sobre as plantações, coletariam e processariam os dados e então os forneceriam aos fazendeiros de maneira simples e compreensível.

Eu não sei o que acontece em Stanford, mas esta foi a quarta ou quinta startup que eu vi relacionada a agricultura de precisão que utilizava drones, robótica, sensores de alta tecnologia, etc. Essa equipe chamou a minha atenção quando disseram “Deixe-nos contar sobre as nossas conversas com os clientes em potencial.” Eu escutei, e enquanto eles descreviam as entrevistas com os clientes, parece que eles acharam que – sim, fazendeiros entendem que não poder ver o que acontece nos campos em detalhes era um problema – e sim, ter informações como estas seria ótimo – em teoria.

Então a equipe decidiu que esse parecia ser um negócio real que eles gostariam de montar. E agora eles estavam juntando dinheiro para construir um protótipo de um MVP. Tudo bem. Equipe inteligente, reais experts em imagens hiperespectrais, desenvolvimento de drones , bom começo na pesquisa com os clientes, começando a pensar no produto, inclusão no mercado, etc.

Eles me mostraram seus objetivos e orçamento para o próximo passo. O que eles queriam era um primeiro cliente feliz que reconhecesse o valor dos dados e que seria um verdadeiro cliente religioso. Ótimo objetivo.

Eles concluíram que a única maneira de ter um primeiro cliente encantado seria construir um produto mínimo viável. Eles acreditavam que o MVP precisava de 1) demonstrar um voo do drone, 2) ter certeza de que o software usado poderia “costurar” todas as imagens do campo em uma só, e então 3) apresentar os dados ao fazendeiro de uma maneira que ele pudesse compreender.

Eles então concluíram logicamente que o jeito de fazer isso era comprar um drone, comprar uma câmera hiper-espectral, comprar os software de processamento de imagem, passar meses integrando a câmera, plataforma e software, etc. Eles me mostraram seu orçamento magro para fazer isso. Lógico. E tudo errado.

Steve Blank é um empreendedor em série do Vale do Silício e um acadêmico de empreendedorismo.
Steve Blank é um empreendedor em série do Vale do Silício e um acadêmico de empreendedorismo.

A equipe confundiu a meta do MVP (vende se eles conseguiriam encontrar um fazendeiro encantado que iria pagar pelos dados), com o processo de atingir a meta. Eles tinham a meta correta, mas o MVP errado para testá-la. Aqui está o porquê.

A hipótese da equipe era a de que eles poderiam enviar dados pelos quais os fazendeiros pagariam. Período. Desde que a startup definiu a si mesma como uma compania de fornecimento de dados, no final do dia, o fazendeiro não estaria nem aí se os dados viriam de satélites, aviões, drones ou mágica, desde que recebessem informações periódicas.

Isso significa que todo o trabalho de comprar um drone, a câmera, software e o tempo gasto integrando tudo foi perda de tempo e esforço. Eles não precisariam testar tudo aquilo ainda. (Há suficientes provas existentes de que drones de baixo custo podem ser equipados e carregar câmeras.) Eles escolheram o MVP errado para testar primeiro. O que eles precisavam é gastar seu tempo testando se as informações interessavam aos fazendeiros.

Então eu perguntei: “Não seria mais barato alugar uma câmera e um avião ou helicóptero, voar sobre as fazendas, processar os dados à mão e ver se os fazendeiros pagariam por aquelas informações? Vocês não poderiam fazer isso em um ou dois dias, por um décimo do dinheiro que vocês estão procurando?” Oh…

Eles pensaram nisso por um tempo enquanto eu ria e disseram: “Nós somos engenheiros e queríamos testar toda a tecnologia bacana, mas você quer que primeiro testemos se realmente temos um produto que os consumidores querem e se temos um negócio. Nós podemos fazer isso.”

Esquipe esperta. Eles foram embora pensando em como redefinir o seu MVP.

Artigo escrito por Steve Blank, acesse o original:
http://bit.ly/1ifmWH2

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