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12 de agosto de 2014

Hackers fazem usina nuclear tocar AC/DC no último volume

Um vírus de computador fez com que o sistema de usina nuclear iraniana tocasse Thunderstruck no último volume no meio da noite.

Durante uma palestra detalhada sobre hacking e propagação de malwares na Black Hat Conference, com um público de 2000 pessoas numa sala de conferência no Madalay Bay Wednesday, o lendário visionário de segurança computacional Mikko Hypponen tinha uma história engraçada para contar.

O cientista finlandês contou à audiência sobre uma série de e-mails que ele havia recebido de um cientista da computação que trabalha para a Organização de Energia Atômica do Iran. Ele comentou que não tinha certeza se isso realmente aconteceu e não pode confirmar detalhes. No entanto, eles confirmaram que o cientista realmente estava mandando e recebendo e-mails da Agência de Energia Atômica do Iran. Um dos e-mails dizia:

“Eu estou escrevendo para informá-lo de que nosso programa nuclear foi mais uma vez comprometido e atacado por um novo worm com implicações que desligaram nossa rede de automação em Natanz e em outra usina perto de Qom.

De acordo com o e-mail que nossos especialistas mandaram para nossa equipe, eles acreditam que uma ferramenta hacker Metasploit foi usada. Os hackers tiveram acesso ao nosso VPN. O sistema de automação e o hardware Siemes foram atacados e desligados. Eu conheço pouco destas questões, já que sou um cientista e não um expert em computação.”

Usina nuclear iraniana
Usina nuclear iraniana

Dirty deeds done dirt cheap

O Stuxnet, na época em que Hypponen recebeu o e-mail, era e é talvez o vírus, ou worm, mais  devastador jamais utilizado contra um “adversário”. Ele foi criado em 2010 pela NSA e os seus aliados iranianos, criando problemas no Programa Nuclear do Irã. Stuxnet atacou os Controladores Lógicos Programáveis das usinas nucleares iranianas de forma brutal, que depois comandaram as centrífugas da usina a literalmente “girarem até a morte”.

No entanto, a maior preocupação do e-mail não era sobre as centrífugas destruídas, mas sim sobre a banda de hard rock australiana AC/DC.

A banda é considerada uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, e suas músicas são conhecidas até por quem não é fã do estilo. Com riffs pesados, chifres para todos os lados, letras consideradas promíscuas e performances incluindo strip teases do guitarrista Angus Young e uma Rosie gigante de lingerie no palco, o AC/DC é banido nos países muçulmanos ultraconservadores. No Irã o Facebook é um crime sério e o Twitter também é considerado ilegal.

“Havia música tocando aleatoriamente em várias estações de trabalho no meio da noite, com o volume máximo. Eu acredito que estavam tocando “Thunderstruck”, do AC/DC. Foi tudo muito estranho e aconteceu muito rápido”

Imagine isso em volume máximo numa usina nuclear:

Mais tarde, Hypponen especulou em seu blog:

Mikko Hypponen
Mikko Hypponen

“Talvez o que eles queria mostrar aos trabalhadores desta organização é que o seu departamento de TI não pode protege-los. Se o seu computador toca AC/DC, você sabe que algo está aconetcendo, e o seu departamento de TI fica com cara de idiota, porque não podem parar isso, eles não podem evitar o malware.Talvez foi uma brincadeira de mau gosto, ou talvez isso nunca aconteceu; talvez o cara estava apenas fazendo uma brincadeira.”

Fontes: NewsScientist, Venturebeat, Blog de Mikko Hypponen

 

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