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A crise nuclear em Fukushima ainda não acabou.

22 de outubro de 2013

A crise em Fukushima ainda não acabou

De paredes de gelo subterrâneas a Geigers de bolso. Veja como o governo e a população japonesa vêm enfrentando os problemas da contaminação por radiação em Fukushima.

Mais de dois anos já se passaram desde o terremoto e tsunami que causaram o acidente na usina nuclear Fukushima Daichii. Pode parecer algo distante para nós, por estarmos no outro lado do mundo, mas o governo japonês e a operadora da usina continuam lutando contra o risco de novas explosões e contra novos focos de contaminação. Além disso, o trabalho de descontaminação das áreas atingidas pela radiação continua. Enquanto isso, a população ainda vive apreensiva e poucos se arriscam a voltar para as suas casas.

A crise nuclear em Fukushima ainda não acabou.
A crise nuclear em Fukushima ainda não acabou.

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Vazamentos de água radioativa

Segundo a operadora Tokyo Electric Power Company (Tepco), a água tem sido constantemente bombeada para resfriar os reatores. Isso é imprescindível para evitar que novas reações em cadeia aconteçam, causando novas explosões que podem ser ainda mais poderosas. Porém, armazenar as 400 toneladas de água radioativa, geradas todos os dias nesse processo, se mostrou um grande desafio.

Esses resíduos são armazenados em tanques dentro da própria usina, mas vazamentos têm preocupado a Tepco e o governo japonês. Várias ocorrências já foram registradas, sendo a mais grave em agosto deste ano: 300 toneladas de água altamente radioativa vazaram dos tanques de armazenamento, alcançando o lençol freático e o oceano. Há problemas nas tubulações, rachaduras nos tanques de contenção e suspeita-se que resíduos dos próprios reatores danificados possam estar vazando. Com isso, o governo japonês sentiu-se forçado a investir em soluções permanentes para evitar mais acidentes e vazamentos. Uma delas é a construção de uma enorme “barreira de gelo” ao redor dos reatores que contêm a água contaminada, evitando, assim, que ela atinja o oceano.

Contaminação das águas subterrâneas em Fukushima.
Contaminação das águas subterrâneas em Fukushima.

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A parede subterrânea de gelo

Lembrando filmes de ficção científica, mas já utilizada antes para conter poluição, a ideia principal é congelar o solo ao redor da usina. Isso preveniria que a água dos lençóis freáticos penetrasse no local, carregando água contaminada para o Oceano Pacífico. Uma tubulação de canos equidistantes que contém fluido refrigerante será implantada ao redor da usina. O fluido, resfriado por uma unidade de refrigeração próxima à usina, é bombeado para o subsolo. Ele absorve o calor do solo ao seu redor e é bombeado novamente para a unidade de refrigeração.

À medida que o calor é absorvido, a tubulação começa a ser envolvida com gelo. Espera-se que, após alguns meses, o espaço entre os tubos esteja completamente preenchido com gelo. Assim, estaria formada uma barreira física que impediria o vazamento de água que esteve em contato com o núcleo dos reatores para o Oceano Pacífico. Mesmo que haja algum furo ou vazamento na parede de gelo, a água contaminada congelará rapidamente e impedindo mais vazamentos, pois a temperatura das paredes deverá ficar próxima de -40 ºC. O projeto deve custar cerca de US$ 470 milhões, que sairão dos impostos pagos pelos cidadãos japoneses.

Parede de gelo será construída em volta dos reatores de Fukushima.
Parede de gelo será construída em volta dos reatores de Fukushima.

Geigers de bolso: cada um tem o seu

Enquanto o governo luta contra os problemas de contenção da radiação, a população convive com áreas contaminadas: muitas cidades foram evacuadas e as pessoas precisaram recomeçar suas vidas em outros lugares. Outras localidades já foram descontaminadas e consideradas seguras. Parte dos antigos moradores está voltando, mas outros continuam céticos e preocupados.

Um fato curioso é que, logo após o acidente, o estoque mundial de contadores Geiger, equipamento utilizado para medir o nível de radiação, simplesmente desapareceu do mercado. A realidade é que todos querem ter a certeza de que não terão problemas com a radiação.

Dois grupos de voluntários foram organizados para promover ajuda nas áreas afetadas pelo desastre: Safecast e Radiation Watch. Como não foi possível fornecer contadores Geiger para a população, como inicialmente planejado, a Safecast resolveu o problema de outra maneira: desenvolveu seus próprios detectores, chamados de bGeige, que foram amarrados a alguns carros. Eles realizam leituras de 5 em 5 segundos e as sincronizam com as coordenadas de GPS. As informações são disponibilizadas para a população através mapas na internet.

Em paralelo, o Radiation Watch vem trabalhando no desenvolvimento de monitores de radiação que podem ser conectados com smartphones. Os voluntários do grupo lançaram seu primeiro Pocket Geiger (“Geiger de Bolso”) em agosto de 2011, que levava cerca de 20 minutos para realizar medidas de dose. O monitor consiste em um fotodiodo PIN sensível à radiação e um aplicativo para smartphone que sincroniza os dados com informações de GPS. A versão mais recente do aparelho custa US$ 70 e leva apenas dois minutos para realizar uma medida, e está disponível para iPhone e Android. O Radiation Watch afirma que já existem cerca de 12.000 usuários do Pocket Geiger.

Fontes:

Eliza Strickland, IEEE Spectrum, 04/09/2013.
http://blog.safecast.org/
http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-23940214 acesso em 12/10/2013

Entenda o acidente

Saiba um pouco mais sobre a usina Fukushima Daichii, o desastre e as consequências.

 

 

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