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3 de dezembro de 2016

Como serão as Cidades do Futuro?

Engenheiros, arquitetos e urbanistas concordam: as cidades do futuro serão mais parecidas com as do passado.

Existe um consenso de que o modelo de mobilidade urbana baseado no automóvel está tornando-se impraticável. Como solução para este problema, já foram sugeridos: um maior uso do transporte coletivo em detrimento do individual, a criação de mais infraestrutura e segurança para ciclistas poderem se locomover até o trabalho, ou ainda o compartilhamento de carros e a prática de carona. Porém, alguns arquitetos, engenheiros e urbanistas perceberam que a solução para o problema da mobilidade urbana pode não residir apenas na reformulação dos meios de transporte atuais ou na adoção de novos modelos. Eles acreditam que o problema está na maneira como as cidades estão organizadas, por isso estão repensando o modelo atual para criar diretrizes e construir as cidades do futuro.

Como é uma cidade do futuro?

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Visão da Los Angeles de 2019 no filme Blade Runner. Provavelmente as cidades do futuro não terão esta aparência.

Ao imaginar uma cidade do futuro, os pesquisadores observam o passado. Tomam como base as cidades humano-cêntricas que foram organizadas antes do advento do automóvel. Nestas antigas pequenas cidades, a vizinhança se conhecia e andava na rua sem medo. Os moradores podiam trabalhar, fazer compras e estudar a uma pequena distância das suas casas.

As cidades do futuro consistem em uma rede de células compactas, ou pequenos bairros que se assemelham muito a estas cidades antigas. Estes bairros oferecem quase tudo que as pessoas precisam no curso de suas vidas diárias. Os espaços públicos das cidades do futuro fazem com que as pessoas se relacionem e se conheçam. A tecnologia é utilizada para maximizar a qualidade de vida e minimizar o consumo de recursos. As células estão ligadas à infraestrutura urbana do restante da cidade através de transportes públicos e veículos compartilhados.

Pesquisas em andamento

Pesquisadores do MIT Media Lab estão trabalhando em conjunto com o SA+P’s new Center for Advanced Urbanism, concentrando-se no planejamento, projeto, construção e adaptação de ambientes urbanos para o século 21. Um exemplo de solução desenvolvida pelo grupo é o CityCar, um veículo elétrico dobrável de dois lugares que pode deslizar para o lado numa vaga de estacionamento.

Desenvolvido no Media Lab, o carro já é comercializado na Espanha sob a marca Hiriko. A German Railways está planejando adquirir uma frota deles para criar uma rede de compartilhamento de carros com bases nas suas estações. Os pesquisadores estão trabalhando em uma nova versão do CityCar, agora sem motorista. Este veículo funciona de forma autônoma e pode pegar e deixar os passageiros em seus pontos escolhidos, além de estacionar e recarregar as suas baterias sem assistência humana.

Para entender melhor a complexa interação entre o desenho urbano e a tecnologia, os pesquisadores do MIT também estão desenvolvendo o Cityscope, uma ferramenta que usa projetores de vídeo HD e mapeamento 3D para visualizar uma ampla gama de interações urbanas, projetando-as em modelos físicos. Uma das aplicações do Cityscope é o estudo do impacto do compartilhamento de bicicletas, bicicletas elétricas, CityCars elétricos e sistemas de ônibus sobre demanda para uma nova cidade na Austrália e também no centro histórico de Quito, Equador.

Na área de habitação, estão sendo desenvolvidos micro-apartamentos urbanos que permitem que um pequeno espaço tenha as funcionalidades de uma unidade com duas a três vezes o seu tamanho. O grupo agora está trabalhando em um protótipo de 24 metros quadrados que pode acomodar uma cozinha totalmente equipada, sala de jantar para dez pessoas, closet, uma cama king-size, lavanderia e um banheiro acessível para deficientes . É claro que nem todas as funções estão disponíveis ao mesmo tempo.

Outro exemplo são os sistemas de agricultura urbana, que dão aos moradores da cidade a oportunidade de cultivar a sua própria produção orgânica utilizando sistemas aeropônicos. Na agricultura aeropônica, as raízes das plantas crescem em câmaras que contém uma névoa fina de água e nutrientes, tornando mais simples o cultivo de alimentos em casa. Testes já mostraram que vegetais populares, como alface e tomates são mais produtivos em sistemas aeropônicos do que no solo.

Cidades inteligentes no Brasil

A Cidade Sustentável Pedra Branca, um bairro localizado no município de Palhoça, em Santa Catarina, é um exemplo concreto de uma célula destas cidades do futuro. Dentro deste bairro, o morador encontra infraestrutura de cidade, rodeado de áreas verdes. É um local onde as pessoas podem morar, trabalhar, estudar e se divertir ao alcance de uma caminhada. Este “bairro-cidade” foge do conceito de condomínio fechado, criando uma comunidade voltada ao pedestre e à preservação da natureza. O projeto da cidade conta com a participação direta de quase 100 profissionais das áreas de arquitetura, urbanismo e engenharia.

O planejamento, totalmente baseado em sustentabilidade em termos de construção civil, paisagismo e de preservação ambiental, inclui captação de água da chuva, aquecimento por energia solar, reuso de água, gerenciamento dos resíduos, iluminação pública com LEDs e instalação de gás natural em todo o bairro. O projeto urbanístico da Cidade Sustentável Pedra Branca busca densidade equilibrada, conectividade e sintonia com o ambiente natural.

Estrutura da Cidade Pedra Branca
Cidade Sustentável Pedra Branca, bairro localizado no município de Palhoça, em Santa Catarina.

Edifícios verdes

Alguns edifícios de Pedra Branca receberam do U.S. Green Building Council (USGBC) a pré-certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). O LEED é um sistema de certificação reconhecido internacionalmente e que incentiva a implantação de estratégias de alta performance ambiental e eficiência energética de projetos e construções de edifícios.

Para a emissão do certificado, sete categorias são avaliadas, entre elas o uso racional da água, eficiência energética, inovação e prioridade regional. Os edifícios certificados possuem custos operacionais mais baixos, além de reduzir os resíduos enviados para aterros durante a construção. São utilizados sistemas de ar condicionado de alto desempenho e filtragem mais restritiva, iluminação eficiente, automação predial e vidros de alto desempenho. Também foram utilizadas placas fotovoltaicas na cobertura, vasos de duplo fluxo, mictórios e torneiras eficientes.

Na área de certificações verdes, o Brasil só perde para os Estados Unidos, a China e os Emirados Árabes Unidos em número de edifícios detentores do LEED, o selo americano de construção sustentável mais conhecido no mundo, hoje presente em 143 países. Com 82 empreendimentos certificados e 620 em processo de obtenção do selo, o Brasil deverá chegar ao terceiro lugar até o fim do ano, segundo dados do Conselho de Construção Sustentável do Brasil (GBC Brasil).

Artigo escrito com base no trabalhos:

Plan 85, MIT School of Architecture + Planning, setembro de 2013
Assessoria de imprensa da Cidade Sustentável Pedra Branca

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